A noção de limite é uma das heranças mais importantes do pensamento grego, um conceito central para os gregos. Eles pensavam que era possível para um ser humano tornar-se uma parte ou uma forma da divindade. Neste sentido a substância humana e a substância divina eram a mesma coisa. O divino neste sentido era algo como um super humano. Para o cristianismo esta concepção parece um delírio, porque para o pensamento cristão o humano e o divino não existem num mesmo plano. A substância divina para o cristianismo é extra humana, algo que sob o plano terreno não pode ser alcançada.
Limite é um movimento do pensamento. Minha experiência do limite, a minha experiência-limite, começou quando pensei quando descobri que era possível, como um grande desafio, como num jogo de azar, tocar algo como a linguagem.
Minha experiência no cinema me levou a esta compreensão. Penso que o cinema como algo que atravessa, não tanto como a sétima arte ou como a síntese de todas artes, mas que atravessa todas as disciplinas, todas as artes – ele atravessa a própria vida. O cinema é um utensílio radical para a auto transformação, talvez o meio mais radical para essa transmutação. Minha experiência do limite, minha experiência-limite são os meus filmes.
Júlio Bressane
