Horror do rato e convívio com um esqueleto
são dois engramas que sobrevivem, sombra de sombra,
em algumas linhas de A causa secreta e Um esqueleto,
dois contos de Machado de Assis, fortíssimo escritor brasileiro. A erva do rato foi inventado dentro destes dos traços duradouros, marcantes.

O estilo machadiano, de talho e local planetário, dobra, desdobra, transtorna a trama, invade compartimentos,
salta muros, economiza na língua um cosmos,
risca uma imagem pelicular.

Tangaracá, sarça selvagem sensível,
que os antigos portugueses chamavam era do rato,
é um veneno, e contra veneno, indígena, pré-histórico.

Dinamograma de um mundo enconberto, mas pulsante, sublime sonambulismo físico, parafísico,
fantasma de longa duração.

No tapete multicor alguma coisa resta,
na espessura dos ossos alguma coisa permanece.

Júlio Bressane